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Números

IPC 2002

O Brasil não reduziu os índices de corrupção no ano de 2002. Os dados divulgados recentemente pela Transparência Internacional mostram que o país permaneceu nas mesmas condições em que estava em 2001.  Os números são relativos ao Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2001, elaborado pela ONG. A entidade é sediada em Berlim e tem como objetivo central realizar pesquisas, estudos e ações que visem ao combate do mal uso do dinheiro público, à promoção da transparência e à integridade na administração pública.

O IPC desse ano foi calculado a partir de pesquisas realizadas entre membros da sociedade civil, como empresários e acadêmicos de 102 países. A classificação é dada por notas que podem variar de 0 (alto grau de corrupção) a 10 (baixo grau de corrupção). O Brasil obteve nota "quatro", mesma nota do ano passado, ficando assim em 45º lugar, abaixo de vizinhos como Chile (7,4), Uruguai (5,1), Costa Rica (5,4) e Peru (4,4) e estatisticamente abaixo da média aritmética das notas entre os países pesquisados que foi de 4,6.

Bangladesh obteve a pior nota (1,2) e a Finlândia ficou com a melhor (9,7). Os campeões da corrupção são Uganda, Indonésia e Bangladesh.

A corrupção é um fenômeno social que tem grandes efeitos econômicos sobre a sociedade. Por conta disso, vem ganhando cada vez mais atenção e preocupação de investidores, acadêmicos e instituições multilaterais como FMI e Banco Mundial.

 

ÁGUA OU VIDA

Cada 50 mil reais desviados do erário público representam a morte de uma criança. A conclusão foi obtida a partir de comparações de dados de investimento sociais, como na área do saneamento básico. Em nosso país mais da metade das pequenas cidades não recebe água tratada. Milhares de crianças morrem anualmente por falta de mínimas condições de higiene.

Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) demonstra que um aumento de 1% no número de pessoas com acesso a serviço de água e esgoto reduz em 6,1% o índice de mortalidade em crianças menores de 14 anos. A relação entre investimentos em saneamento e óbitos de crianças permitiu chegar ao custo de uma vida - cerca de R$ 50 mil.

 

CORRUPÇÃO MATA SIM!

O raciocínio demonstra que os agentes públicos corruptos podem provocar tantas mortes quanto ditadores que a história da civilização ocidental nos apresentou. No entanto, são muita vezes aceitos nas altas escalas sociais como homens de valor e importantes. A característica "abstrata" do fenômeno da corrupção e a hipocrisia social contribuem para a postura passiva da sociedade.

Um instrumento poderoso de filtragem da corrupção nos Poderes Executivo e Legislativo é o voto. Votar consciente e, acima de tudo, em pessoas honestas é um dever cívico e moral, ao qual devem estar atentos os leitores cidadãos.

 

 

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