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12/02/2010 | Ex-secretário de Comunicação do DF se entrega, diz Polícia Federal
12/02/10 - 14h14 - Atualizado em 12/02/10 - 14h14
Ele é acusado de participar da suposta tentativa de suborno a um jornalista.
Somente o ex-deputado Geraldo Naves ainda é procurado pela polícia.
Robson Bonin Do G1, em Brasília
O ex-secretário de Comunicação do governo do Distrito Federal, Welligton Moraes, se entregou por volta das 14h desta sexta-feira (12) na Polícia Federal. Com isso, somente o ex-deputado Geraldo Naves (DEM) continua sendo procurado pelos policiais.
Mais cedo, outro suspeito de ter participado da suposta tentativa de suborno a uma testemunha do mensalão do DEM de Brasília se entregou. Haroaldo Brasil, ex-diretor da Companhia Energética de Brasília (CEB), se apresentou na superintendência por volta das 12h10.
Os três tiveram a prisão decretada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), junto com o governador afastado do DF, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) e com o sobrinho dele, Rodrigo Arantes O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, disse nesta sexta que os suspeitos estavam sendo procurados para serem presos.
Habeas corpus
O Supremo Tribunal Federal (STF) negou nesta sexta o habeas corpus ao governador. Pela manhã, à repórter Gioconda Brasil, da TV Globo, o ministro Marco Aurélio Mello afirmou que, depois de "32 anos de magistratura", o caso de Arruda não seria complicado, mas uma situação "emblemática."
Arruda passou a noite na Superintendência da Polícia Federal. Ele passou a noite em claro, segundo o chefe da Casa Militar do Distrito Federal. No momento, o governo do DF é chefiado interinamente pelo vice, Paulo Octávio (DEM).
Um grupo de manifestantes contra o governador fez vigília no STF com luz de velas, pedindo que o habeas corpus não fosse concedido. A expectativa era que a decisão de Mello fosse divulgada ainda na noite desta quinta-feira (11), mas o ministro resolveu que não o faria ontem.
Irritação
A decisão da Justiça de mandar prender Arruda irritou os advogados dele. A defesa argumenta que o governador não foi ouvido. "Não se faz processo criminal sem contraditório, salvo em estado que esteja no limite do fascismo e do nazismo. Isto é um estado de direito democrático. Essa prisão à margem das garantias da Constituição, na minha ótica, é uma prisão abusiva, ilegal e é, sobretudo, uma prisão desnecessária", disse o advogado Nélio Machado.
Arruda enviou uma mensagem à Câmara Distrital se licenciando do cargo e escreveu uma carta aos amigos. Ele se diz vítima de uma "campanha difamatória" de níveis jamais vistos na vida pública brasileira. Afirma que vai contribuir com a elucidação dos fatos e fala em "armadilhas e golpes baixos" que, segundo ele, serão desmascarados. Em seguida, se entregou à Polícia Federal.
O relator do processo, ministro Fernando Gonçalves, disse à TV Globo que se surpreendeu com o que viu no inquérito da operação Caixa de Pandora.
"Negociação"
O pedido de prisão foi baseado na suposta tentativa de suborno ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, conhecido como Sombra. Por meio de um enviado, o governador teria proposto o pagamento de propina na tentativa de fazer com que Sombra mentisse em depoimento à Polícia Federal.
O decreto de prisão preventiva foi expedido após parecer da Procuradora-Geral da República. Por 12 votos a 2, os ministros da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinaram a prisão do governador.
Houve um cuidado para não expor ainda mais a imagem do governador na hora da prisão. Essa negociação foi feita com a Polícia Federal, atendendo a um pedido do presidente Lula, que sempre teve uma boa relação com Arruda, embora ele fosse de um partido de oposição.
Repercussão
A Ordem dos Advogados do Brasil, que havia pedido a prisão do governador, comemorou. "Essa decisão aponta no sentido de que a corrupção pode ser derrotada no nosso país", diz o presidente da OAB Ophir Cavalcanti.
A Associação dos Magistrados Brasileiros apoiou a decisão do STJ. Em nota, declarou que a prisão preventiva foi correta porque "há fortes indícios de que o governador do Distrito Federal estaria tentando destruir provas". "Hoje talvez seja o dia que, vamos dizer, olha foi lá naquele dia que o Brasil, apontado como país campeão mundial da impunidade, os fatos começaram a terminar", afirma o senador Pedro Simon (PMDB-RS).
"É um fato de proporções desastrosas para a classe política do Brasil, porque um governador de estado ser preso, nas circunstâncias em que esse fato está acontecendo, é muito ruim para classe política do Brasil", diz o senador Agripino Maia, líder do DEM.
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