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29/01/2012 | Dilma em Cuba


Folha de S. Paulo - 28/01/2012

A acolhida do Itamaraty ao pedido de visto da jornalista cubana Yoani Sánchez para visitar o Brasil nas próximas semanas coaduna-se com a recente inflexão do governo brasileiro no tratamento dado ao tema dos direitos humanos em sua política externa.

Embora protocolar, a concessão do visto de turista a uma notória crítica do regime castrista ganha simbolismo político, por ter ocorrido dias antes da visita à ilha que a presidente Dilma Rousseff inicia na terça-feira. Não chega, contudo, a configurar uma afronta a Havana.

Sánchez registrou, em sua página na internet, que ainda falta "o mais difícil": uma autorização de saída do país, que já lhe foi negada em tentativas anteriores. Não se devem esperar do governo brasileiro novos gestos em seu favor.

Tampouco parece realista a demanda de exilados e críticos do regime castrista para que Dilma se manifeste, em Cuba, sobre o tema dos direitos humanos. Pressões nesse sentido se seguiram à morte do preso político Wilman Villar, na semana passada. O dissidente, em greve de fome havia mais de 50 dias, sofria de pneumonia.

Assessores do Planalto procuram ressaltar o caráter comercial da visita, durante a qual a presidente deve discutir investimentos em Cuba e a oferta de crédito para que agricultores locais adquiram maquinário de colheita e irrigação. Além disso pesa o princípio, corretamente seguido pelo Itamaraty, de não ingerência em assuntos internos de outros países.

Seria todavia possível conciliar tais objetivos com uma manifestação mais explícita, ainda que não estridente, em relação ao regime castrista. Uma declaração do Brasil acerca de direitos humanos e liberdades democráticas, feita antes do embarque, seria conveniente e teria sem dúvida peso para o governo daquele país.

Trata-se, ademais, de uma oportunidade para a diplomacia brasileira ganhar credibilidade nas discussões multilaterais sobre o tema. O país obteve pontos quando a presidente condenou uma sentença de morte por apedrejamento no Irã, retificando a posição tolerante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o regime dos aiatolás.

É improvável, no entanto, que a mandatária faça um novo e mais explícito gesto nessa direção. Contra ele pesam os laços sentimentais e a manifesta admiração, por parte de dirigentes do PT, pela esclerosada ditadura cubana.



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