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Caso Cooptefes

Outubro de 2002

O governador José Ignácio Ferreira, atualmente sem partido, passou grande parte de seus 4 anos de governo, envolvido em um mar de denúncias de corrupção. As denúncias o forçaram inclusive, a demitir seus principais auxiliares inclusive a primeira-dama, Maria Helena Ferreira pelo envolvimento no escândalo da cobrança de propinas durante seu mandato. Uma das investigações do Banco Central comprovou que 60% dos R$ 4,8 milhões oficialmente declarados por José Ignácio à Justiça Eleitoral foram irregularmente financiados pelo Banco do Estado do Espírito Santo, por intermédio de recursos que entraram na conta conjunta que ele abriu com o cunhado Gentil Antônio Ruy na agência central do Banestes.

A situação de José Ignácio se complicou ainda mais quando o vice-governador Celso Vasconcellos (PSDB) entregou à Procuradoria da República um dossiê com toda a movimentação financeira do caixa dois da campanha. Trata-se da conta aberta em nome de Raimundo Benedito de Souza Filho, o Bené, na Cooperativa de Crédito Mútuo dos Trabalhadores da Escola Técnica Federal do Espírito Santo (Cooptefes). Bené é amigo e parceiro de Gentil Ruy desde a época em que trabalharam juntos no Banco Nacional de Crédito Cooperativo, de onde o cunhado de José Ignácio foi demitido, e responde a processo na Justiça por desvio de recursos. Da conta de Bené saíram pelo menos R$ 5 milhões para o pagamento de gastos de campanha e das mais variadas despesas da família José Ignácio. Por exemplo, seis cheques de R$ 7 mil foram repassados a Littig Engenharia Ltda. para a quitação do saldo residual da compra de um apartamento  de luxo na praia da costa, apartamento  registrado em nome do governador.

Como Raimundo Benedito sacava a descoberto na Cooptefes, o rombo levou a cooperativa a pique. Numa tentativa de evitar a falência, o governo capixaba passou a tirar recursos de bancos oficiais para depositar na cooperativa. Foi assim, por exemplo, que a Secretaria da Educação abriu uma conta e, numa operação ilegal, transferiu do Banco do Brasil para a Cooptefes R$ 5 milhões da cota-parte estadual do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. O socorro de nada adiantou. A cooperativa acabou quebrando e o dinheiro da Educação simplesmente evaporou.

De punição concreta aos responsáveis, apenas o tempo em que algumas pessoas como Gentil e Bené ficaram na cadeia. Atualmente todos encontram-se exercendo suas funções normalmente. Nenhum dinheiro foi devolvido aos cofres públicos, e o Ministério Público ainda está apurando o tamanho do prejuízo do Estado.

 

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