Quando estudei Engenharia, na UFES, gostava muito das aulas de Física, do professor Marcos Murad. O Marcão, como o chamávamos. Em Física 1 retomávamos os conceitos aprendidos ainda no segundo grau que explicavam o movimento uniforme, quando a velocidade escalar é a mesma em qualquer intervalo de tempo. Lembro do exemplo da tartaruga que, quando sai do repouso, não altera sua velocidade, percorrendo distâncias iguais em tempos iguais, não importando quaisquer causas. Depois, quando estudei Economia, também na UFES, aprendi outro termo interessante - Ceteris Paribus - que lembrava a tartaruga em seu lento e resoluto caminhar. Quando criança, lembro de subir em jabutis maiores que, mesmo com o peso adicional, tentavam e às vezes conseguiam seguir em frente, passo após passo, obstinadas. Talvez pensassem que as condições eram as mesmas e não estavam nem aí para as causas. Mas, ficavam ainda mais lentas.
Da Engenharia, a constância da velocidade escalar; da Economia, o acontecimento das previsões, mantidas as mesmas condições. Assim tento entender as pesquisas. Seriam elas um mero retrato do passado e do presente ou um indicativo do futuro no caso das eleições governamentais aqui no Espírito Santo. Dizem vários e experientes cientistas políticos que nesse caso tudo é diferente desses dois conceitos. Os candidatos têm muita facilidade de alterar suas velocidades e de lidarem com as mudanças de condições ambientais. Ou seja, as pesquisas não definem seguramente o que acontecerá. Urna seria igual a estômago de baleia: ali entra de tudo, além do óbvio. Então, quando vi os percentuais na pesquisa divulgada por um jornal local fiquei dividido entre a ciência, a lógica e o imponderável. Se tamanha distancia entre Luiz Paulo e Casagrande seria reversível ou não, no intervalo de tempo até as eleições.
O que posso perceber é que há um movimento retilíneo, uniforme ou variável, baseado mais em uma sensação do que em uma realidade. Assim como em relação ao País, em nosso Estado existe uma sensação de que estamos muito bem. Muito maior do que a sensação de uma realidade nefasta, setorialmente negativa. Então, prevalece a tese da continuidade em si, sem muitas críticas ou proposições de alteração. De deixar a velocidade inercial fluir. Casagrande tem permitido essa percepção em relação ao seu comportamento de campanha. Aposta mais no populismo, na valorização do que há de bom e no enaltecimento das pessoas que o seduziram a essa percepção. Não se propôs, até o momento, apresentar questionamentos e levar a campanha para o campo da competência gerencial formuladora de novas soluções para velhos problemas. Alguns de dimensão extremamente inconveniente. Sua estratégia parece ser a de estar presente em inaugurações, de sorrir para as fotos, de figurar em composições políticas conduzidas por desgastados articuladores e ser escoltado por Paulo Hartung. Uma postura válida, pois ninguém entra em eleição para perder. E esse é o caminho que poderá levá-lo à vitória.
Luiz Paulo, ao contrário, parece se propor a levar uma mensagem mais gerencial, mais voltada aos competentes colaboradores que sempre o acompanharam e depois fizeram parte do atual governo. Vai tentar convencer eleitores, pela televisão, com o argumento da melhoria contínua. Do kaizen. Haja vista recente encontro aqui na capital do Estado. Muitas pessoas assumiram mais e melhores atividades na administração pública quando Luiz Paulo trouxe as ferramentas do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade e do Planejamento Estratégico para nosso modelo de gestão. Lembro de percorrer, com ele, todas as Secretarias de Estado e alguns Órgãos Públicos com o livro do Carlos Matus, que, aliás, foi leitura obrigatória para muita gente. No início, estava lá no Palácio Anchieta, em condições precárias (na época a vedete era a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, com Paulo Augusto Vivacqua), eu como Chefe de Gabinete, Luiz Paulo como Secretário e Neivaldo Bragato com Subsecretário. Pouco depois se agregaram outras pessoas.
Essa foi a semente para o competente gerenciamento que se vê hoje em algumas áreas. É bem mais difícil para Luiz Paulo ser muito populista. Assim como para o Serra. Então, no momento em que a sensação do estar bem é maior que a certeza do estar bem, tudo indica que as pesquisas lhes serão o maior adversário a enfrentar. O Deputado Federal tem uma postura também válida, pois todo mundo entra em eleição para ganhar - a não ser candidato laranja - e esse é o caminho que poderá levá-lo à vitória. Se o futuro bem próximo contrariar a lei da física - movimento retilíneo e uniforme; e da economia - Ceteris Paribus - que aprendi na universidade.