Antonio Marcus Machado
Economista e professor universitário
Malta é um arquipélago muito bonito, com enseadas maravilhosas que atraem inúmeros turistas. È do turismo que vem uma de suas principais rendas. Muito católica, lembra o texto bíblico que conta o naufrágio da embarcação que levava São Paulo e como ele levou a religião aos nativos. Está estrategicamente posicionado, próximo do estreito de Gibraltar, o quase contato físico da África com o Sul da Europa Continental. Sua história conta e reconta invasões e também um domínio do Reino Unido, do qual só se tornou independente em 1964, o ano de nossa revolução militar. Mas, na verdade, só se livrou mesmo do Reino Unido por volta de 1979. Pois este continuou mandando por longos anos, inclusive a posse de aeroportos, portos e meios de comunicação.
Eu lembrei bastante de Malta, o arquipélago, quando li a entrevista de Malta, o Senador, em Século Diário. A religiosidade explícita, o ponto de contato entre continentes políticos e o valor que dá a sua independência. Diferentemente de Malta, o arquipélago, o Senador não quer ser dominado por Paulo Hartung, nem que seja sob a forma de um domínio "brando" como fez o Reino Unido por 15 anos. Um condomínio em que ele fosse um hóspede ilustre. Malta, o Magno, quer ser dono de sua morada. Organiza-la em torno de sua família, dos amigos fiéis e da religiosidade que professa. Por isso, talvez, a magnitude de seu primeiro nome. Gostei muito da sua entrevista. Disse o que muitos falam apenas nos corredores sombrios ou nos conchavos gastronômicos. Ferraço, o pai, ameaçou falar gravemente. Magno falou sem ameaçar. Sem ódio ou preconceito. Apenas, com a ética que valoriza.
Não somos amigos pessoais, nunca votei nele e necessariamente não concordo com tudo o que disse, mas também não discordo do âmago de seus argumentos. Em sua entrevista mostra-se como um político raro em termos de franqueza e identidade própria. Nesse sentido, passa a impressão que é um daqueles políticos que já existiram na política capixaba. Tem gente que gasta muito tempo procurando agulha em palheiro. Às vezes, a agulha não está no palheiro. Está na mão de quem sabe cerzir. E Malta, o Senador, parece ser um deles.