Artigo

Lorde Nelson

Antonio Marcus Machado
Economista e professor universitário



Os resultados de pesquisas realizadas pós-mudanças no candidato "oficial" mostram um curioso número. A Tribuna pouco destacou e A Gazeta deu menor destaque ao fato de que Magno Malta registra surpreendentes 30% na corrida ao Governo do estado. Essa seria uma "headline" importante. Nitidamente contrario ao atual Governador, ele se apresenta, ao que parece, como uma alternativa clara de manifestação explícita de insatisfação com o que tem ocorrido na política em nosso Estado. Casagrande e Luiz Paulo parecem ser aliados de Hartung, diferindo apenas no apoio a Dilma ou Serra. Então, para os desafetos ou até afetos insatisfeitos por se sentirem traídos, só resta a voz gospel do senador midiático.  Para muitos pode crescer a percepção que Casagrande é um pragmático e Luiz Paulo ideólogo. E, entre essas duas opções, oportunistas de plantão escolhem as benesses do pragmatismo, onde Paulo é soberano e insensível. E Casagrande, a bola da vez. Em uma metáfora, Luiz Paulo é o trem, buscando novos caminhos e Renato a estação.

A inteligência, o pensamento de longo prazo e estratégico de Luiz Paulo tem mais dificuldade de atingir os eleitores ou respondentes das pesquisas. "Unidade Bonapartista", "Condomínio do Poder" são frases marcantes e significativas para os intelectuais e formadores de opinião mais sofisticados. O "povão" passa ao largo dessas referências. Luiz Paulo tem feito um excelente trabalho de campanha, envolvendo-se em questões de fundamental importância para o nosso País e Estado. Tem carisma e dignidade, mas parece distante do cidadão comum. Às vezes passa até a impressão de ser orgulhoso demais, vaidoso demais. De se achar a melhor opção em campanha, por suas qualidades técnicas, culturais e políticas. Parece não pedir voto. Procura mostrar que os inteligentes deveriam votar nele. E assim segue sua campanha.

Já Casagrande, nem fala. Nem propõe controvérsias. Apenas comenta diplomaticamente ou evasivamente questões eventualmente conjunturais. Foi artificialmente alçado à condição de opositor e depois, voluntariamente, de situacionista. Comunga com Paulo o exercício do silêncio.  Quer apenas deixar a maré subir e com ela chegar ao poder. É o candidato útil ao dilema de Hartung: como blindar o final de seu governo. Não tem arestas. Rola como uma bola de futebol. Pode fazer gol em ambas as traves. É um bom candidato. Mas, Magno desconstitui a tese de que as bênçãos de Hartung são decisórias, determinantes como antes. Paulo pode até fazer seu sucessor a seu modo, mas o custo será mais alto do que sempre foi.

Os dados mostram também que Ferraço, se houvesse recebido o apoio explícito e fiel do Governador seria imbatível. Não teria Magno contra, a inevitável fragmentação da aliança conseguida (ainda que camuflada), e caminharia firme em direção ao Governo. Agora, uma aliança da sofisticação de Luiz Paulo com a idolatria de Magno pode reescrever a história dessa eleição, com Ferraço neutro. O difícil é saber quem aceitará o papel de Lorde Nelson.






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