Artigo

Estabilidade Democrática*

Fernando João Pignaton
Cientista político e diretor do Instituto Flexconsult



O desejo dos capixabas, revelado em pesquisas qualitativas, de um futuro governador com perfil de gestor competente, experiente e com visão de futuro e ao mesmo tempo sendo um político com capacidade de articulação e convergência de amplas forças políticas para sustentar a governabilidade e viabilizar a atração de investimentos públicos e privados para o espírito Santo, e que caracteriza a imagem pública do governador atual, não esta presente de forma completa em nenhum dos candidatos a sua sucessão.

É isso que confere uma instabilidade estrutural ao jogo da sucessão estadual e impediu a hegemonia eleitoral sólida e estável de um dos três principais concorrentes.

Mesmo a força de quem a possui, mas não pode ser reeleito, o governador Paulo Hartung - pilotando um dos "cases" mais bem sucedidos de implantação das sofisticadas tecnologias de gestão de "frente política" originarias do "Partidão"-  não foi suficiente para estabilizar a candidatura de Ricardo Ferraço.

O distanciamento do vice-governador do perfil de "articulador de forças políticas", desejado pelo eleitor se evidenciou no conflito gerado pela sua saída atabalhoada do PSDB e também na marginalização do PSB, partes fundamentais da frente montada para o governar o estado. Sua tentativa de compensar esse erro atraindo outras forças políticas foi importante, mas acabou gerando desconfianças em segmentos decisivos da sociedade capixaba, como o setor empresarial e da igreja católica, quanto a sua força para conseguir manter longe do governo figuras influentes nos governos de Zé Inácio.

O primeiro "ataque especulativo" a solidez de seu perfil foi quando o governador decidiu ficar no cargo e deixou clara sua fragilidade. Na seqüência, a circulação de pesquisa mesmo restrita entre as cúpulas políticas dando conta de sua estagnação e eminente ultrapassagem de Casagrande elevou  ao máximo sua "volatilidade política", propiciando a intervenção nacional para recompor a base Lulista que estava saindo dos trilhos no Espírito Santo através de nova candidatura de consenso, mesmo diante da insatisfação de alguns segmentos que foram deixado a margem nestas negociações. O processo foi tão penoso e desgastante para Ferraço que deixou especulações se essa fragilidade se projetará na sua candidatura ao senado. Não é outro motivo senão a tentativa de barrar essa desestabilização crescente do bloco que leva o governador a publico declarar apoio a candidatura de Ferraço ao Senado.

O momento é de instabilidade política, de estranhamento entre quem ate ontem foi aliado e de realinhamento de forças para enfrentar o futuro de fortes batalhas. Casagrande e Luiz Paulo têm amplos espaços de crescimento político. Uma coisa é certa: só o bom e velho embate eleitoral democrático e aberto, o apelo direto ao eleitor solucionará a instabilidade estrutural referido no inicio clareando o futuro do nosso estado. E isso não é pouco diante do ar pesado e cupulista que os democratas têm respirado.

* - Publicado no jornal A Gazeta - 30 de abril de 2.010





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