Artigo

Chão sem estrelas e barracos com trinco

Antonio Marcus Machado
Economista e professor universitário



Em outras oportunidades eu já revelei que admiro a trajetória pessoal do cidadão Luis Inácio da Silva, mas, também, que essa percepção não cabe no presidente Lula, como ele gosta de ser reconhecido. Aliás, é interessante observar como ele não soube lidar com essa ambigüidade personalistica, tornando-se menor, em minha percepção, que sua identidade humana. A dimensão política cobriu sua dimensão genética com o manto da vaidade e do deslumbramento. E, para quem já esteve no poder ou é poder, em qualquer instância, sabe que essa situação é bastante tentadora. É preciso estar bem atento e não sucumbir à tentação fácil e efêmera. Não foi e com isso ateve-se aos assuntos de visibilidade ampla, tanto em nível nacional quanto internacional, porém de baixa aderência às necessidades vitais de nossa sociedade ainda subdesenvolvida em vários aspectos. O legado de Lula na área educacional, na área de segurança pública e na área de probidade em seus assessores, deixa muito a desejar, ainda que possam ser apenas suspeitas.

A área educacional, por exemplo, não teve melhoria substancial em seus oito anos de governo. As Universidades Federais estão com as mesmas dificuldades: falta de professores, baixa expansão da oferta de vagas, instalações sem investimentos ou mesmo com pouca manutenção. Recentemente, para ater-se ao Espírito Santo, alunos da UFES disseram que não tinham aulas há várias semanas por pura ausência de professores. A responsabilidade pela oferta de vagas compatíveis com o crescimento do Estado e com a demanda empresarial continua a cargo das Instituições particulares. Bravamente, professores e pesquisadores dessa importante Instituição Federal resistem nas condições existentes. Grande parte das escolas públicas, em seus vários níveis, continua em condições insuficientes para um bom ensino. O acesso ao crédito educativo, nos cursos superiores é restrito e com verbas insuficientes. O Prouni ainda é um instrumento tímido em relação à necessidade dos brasileiros.  

Na segurança pública, favelas em festa celebram os bons negócios realizados com "investimentos" em produtos piratas, venda de cocaína e crack. E personagens populares freqüentam esses locais com a maior notoriedade. Celebridades contemporâneas pisam o chão não mais salpicado de estrelas e as portas dos barracos estão cheias de trincos. Coitado de Orestes Barbosa. Quanto à probidade, poucas vezes se viu tantos membros de primeiro escalão envolvidos em denúncias e suspeitas de ilicitudes. Brasília, o cerrado político, implodiu as colunas da ética pública e de seus jardins suspensos. No seio da sociedade comum, grassou a violência urbana, afrontante e humilhante, quem sabe por sua impunidade. Nem idosos são poupados, como o casal que foi surrado por assaltantes na Serra, hoje.

Em relações internacionais, o diplomata Azambuja deixou claro, em palestra, que o Brasil tem três objetivos importantes: inserir-se no ambiente tecnológico de ponta; inserir-se no âmbito das nações que elevam os direitos humanos e inserir-se nos órgão Internacionais, como a ONU. O Governo atual não deverá, em seu término, alcançar o primeiro pela relativa falta de investimento em pesquisa e desenvolvimento. Nem o segundo, depois das masmorras neomedievais existentes em nossa Pátria. Por dedução, inserir-se em Instituições Internacionais de importância, só por benevolência ou deleite de rir com as declarações de nosso Governo. Luiz Inácio tem uma carreira brilhante. Lula, o Presidente, deixa a desejar. Obama, fala bem menos e já resolveu a questão da saúde, do financiamento educacional e agora avança na exploração de petróleo. Triplicou as verbas federais para pesquisa acadêmica e seu desenvolvimento. Isso, com a oposição dos Republicanos e queda de popularidade. Acho que ele sabe que não é um cantor de rock, ator de cinema ou jogador do Real Madri. Esses vivem em busca de popularidade. Ele é apenas um representante de toda uma nação com muitos defeitos a serem corrigidos e qualidades a serem preservadas.    

Isso, sempre em minha modesta percepção, e com muito respeito a um partido político que outrora zelava por sua ideologia, sua filosofia e combatia o fisiologismo.






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