Antonio Marcus Machado
Economista e professor universitário
Há um tempo recente atrás eu escrevi esse artigo e publiquei no site da Rede de Notícias, hoje extinto. Reli, mudei algumas coisinhas e estou colocando para os meus prezados leitores esses meus pensamentos. "Herdeiros de uma tradição combativa e persistente que remonta ao patriarca Saturnino, os Max, pai e filho, escrevem do jeito que gostam, com letras indeléveis, a história política do Espírito Santo. Sempre se posicionando ao lado dos menos favorecidos e até excluídos do processo de acumulação de riqueza, calcados em suas percepções dos princípios éticos e morais. Uma batalha árdua, nem sempre compreendida ou valorizada pela maioria das pessoas. Max Mauro, mesmo assim, assumiu cargos eletivos importantes utilizando em suas campanhas as bandeiras da moralização da vida pública.
Quando foi Governador, com Teófilo, reorganizou as finanças do Estado e enfrentou a malha nociva do tecido governamental. Ao sair teve mais de 70% de aprovação. Vibrante, destemido e implacável, colecionou desafetos. Mas, também, milhares de amigos e seguidores, sendo que muitos já o acompanhavam desde os tempos de médico em Vila Velha e de deputado estadual. Na Assembléia esteve sempre ligado à esquerda nos piores momentos da democracia brasileira debatendo com a poderosa ARENA de então. Inúmeras vezes mobilizou os sindicatos, as associações e a sociedade civil organizada, especialmente em causas adversas ao seu município.
Ganhou muitas batalhas. Perdeu várias também. A História mostra que seu pai foi signatário da autonomia de Vila Velha em relação a Vitória e anos mais tarde ele próprio viveria a tensão de ver a possibilidade de o município ser anexado a capital no Governo Élcio Álvares, salvo engano. Na minha modesta percepção Max nunca agiu como um estrategista, com visão estratégica, com resiliência. Intuitivo, emocional, buscou sempre o enfrentamento em campo aberto, com seu sabre afiado e pontiagudo, norteado por princípios que não abandona ainda que por isso seja derrotado. Faz lembrar Darcy Ribeiro quando, próximo ao fim de sua vida disse: "tentei alfabetizar o Brasil, não consegui; tentei criar centenas de escolas integrais no Brasil afora e não consegui; enfim, tentei tanta coisa boa e fui derrotado. Mas isso, no fundo é minha vitória, pois não gostaria de estar na pele dos que me derrotaram".
Talvez o que mais tenha frustrado Max seja seus iniciados, aqueles a quem deu asas e que, em sua opinião firme, voaram em direção a outros rumos, decepcionando-o. Hoje, Max, que já deve ter chegado aos seus 70 anos, tem boa saúde e ainda é bastante ativo, como sempre, citando publicamente nomes daqueles que julga agirem errado. Ao lado do filho, que abre mão de tudo, inclusive do "carreirismo político" e da opinião antagônica de pessoas próximas, para estar também sempre ao lado do pai, continua atento a tudo e a todos. Um ícone da vida capixaba, com mais de 500 mil votos na última eleição, ao qual concorreu sabendo das suas dificuldades, da grandeza e do poder de seus oponentes, mas com o espírito de um soldado do partido.
Não sei o que sente, no outono da vida, ver alguns de seus desafetos políticos em cargos de destaque, como, por exemplo, Élcio Álvares, deputado, presidente da Assembléia e quem sabe Governador do Estado, ainda que por dias em substituição a Paulo e Ferraço.
Os irmãos Cohen têm razão, em seu filme "No Country for Old Man", título equivocadamente traduzido para o português. O "old" não deve ser entendido como velho, mas extemporâneo. Os homens de bem, inconformados com a injustiça, ousados, outrora agentes públicos em uma sociedade mais previsível em termos de violência, hoje se encaminham para a aposentadoria, para "pendurar as chuteiras", pois o jogo ficou dominado pelo mundo da política fisiologista, do crime banalizado, da corrupção e da violência instituída e impune. Recolhem-se, assim como o Xerife, na cena final. Max, não. Quer reescrever o filme e a vida política. Só não é um bom ator. Tem dificuldade em mentir e fingir. É autêntico demais."